Louise MacDonald, Marianne Vlaschits, Karl Kilian, Nikolas Suchentrunk, Christian Falsnaes Marianne Vlaschits again, Roberta Lima & Robert Pawliczek (ANTCAR), Jakob Lena Knebl, Linda Samaraweerová, Albert Mayr, Lazar Lyutakov, Ludwig Kittinger & Fernando Mesquita, Christoph Hinterhuber, bastian wilplinger, erol nowak, daniel benedek mit band, & die saubere kapitalistin, Katharina Heistinger, Johann Neumeister, Nicola Brunnhuber, Baptiste Elbaz & Konrad Kager, Michaela Moscow, Ana Hoffner.
Ve.Sch stellt sein Programm bewusst sichtbar in die Straße – auf die öffentliche Bühne.
Nicht alles lässt sich dabei von innerhalb nach außen übersetzen... weiter
Freitag 17. September, 16h30 - 21h30
Samstag 18. & Sonntag, 19. September, jeweils von 14h30 - 21h30 Schikanedergasse in front of Ve.Sch
é uma mostra em torno da performance, curada por Susana Chiocca, que inclui
quinzenalmente apresentações de performances e uma conversa com os artistas.
com a participação de Ana Ulisses, António Lago, António Olaio, Balla Prop, Calhau, Joclécio Azevedo, José Leite, Manuel Santos Maia, Nuno Ramalho, Paulo Mendes, Regina Guimarães
e de Alexandre Osório, Ana Borralho e João Galante, André Guedes, André Sousa, André Uerba, Ângelo Ferreira de Sousa, Beatriz Albuquerque, Carla Cruz, Filipa Francisco, João Fiadeiro, Márcia Lança, Margarida Mestre, Mauro Cerqueira, Miguel Pereira,
Vera Mantero, Vitor Lago e Silva.
18 de Setembro-30 de Novembro 2010
Inauguração: Sábado, 18 de Setembro, entre as 16h e as 20h
Apresentação de performances:
dia 25 de Setembro
Manuel Santos Maia
Paulo Mendes
dia 9 de Outubro
Ana Ulisses
António Olaio
dia 30 de Outubro
José Leite
Regina Guimarães
dia 6 de Novembro
Balla Prop
Calhau
Joclécio Azevedo
dia 13 de Novembro
Conversa com os artistas
20 de Novembro
António Lago
Nuno Ramalho
Espaço Ilimitado -Núcleo de Difusão Cultural Rua de Cedofeita, 187 - 1º | 4050-179 Porto Tel. [+351] 913 812 544 espacoilimitado@gmail.com
+ info: Susana Chiocca - 93 428 35 38 - desaparece@gmail.com Filomena Pimenta (responsável pelo espaço) 913 812 544 João Baeta (responsável pelo programa de exposições) i.antimateria@gmail.com
É QUE UM MUNDO TODO VIVO TEM A FORÇA DE UM INFERNO
Direcção Artística: Vera Sofia Mota
Performance: Isabel Simões
Criação: Vera Sofia Mota, Isabel Simões, Pedro Faria
Sexta-feira 17 Setembro às 21h30 Sábado 18 Setembro às 19h00 Duração: 40 min Lotação por sessão: 25 pessoas Obrigatória marcação prévia - avivaobst@marz.biz ou 218 464 446 (sujeito a confirmação) MARZ - Galeria Rua Reinaldo Ferreira 20-A 1700-323 Lisboa
Magia²
A ideia de performance implica sempre magia. Há uma acção (ou mais) que acontece e depois desaparece. A efemeridade, a duração que sabemos de antemão ser limitada, confere ao momento um encanto particular. A peça que agora se apresenta, nascida da vontade de explorar as imagens sobreviventes à Grécia Antiga, que duma forma mais marcada sugerem movimento , explora esse fascínio e inclui-nos nesse jogo. Aqui, o encanto do desaparecimento reaparece, criando uma interessante tensão que enquanto espectadores somos chamados a gerir.
A performer constrói com o seu corpo posições a cuja formação e “instalação” às vezes assistimos, outras com que nos deparamos. Se pensarmos nas tais imagens da Antiguidade, que duma forma mais ou menos presente povoam o nosso imaginário,podemos perceber que elas são o resultado dum problema: como representar o excesso, a euforia e, claro, o movimento dionisíaco através de figuras estáticas ? Deste dilema nascem representações que, embora incluídas numa lógica que globalmente valoriza a harmonia, nos apresentam desequilíbrios, torções e impossibilidades, sugerindo um vocabulário de movimento que dificilmente podemos reconstituir.
A peça É que um mundo todo vivo tem a força de um Inferno, sendo um exercício exploratório das possibilidades e impossibilidades desta reconstituição, afasta-se da tradição dos tableaux vivants, deixando cair a tónica na abordagem historicista e mimética para reequacionar os seus modelos. Aqui, como na Antiguidade, também há dualidade e complementaridade . Apenas uma artista se apresenta mas presente está também o colectivo: esta premissa é válida quanto à equipa autoral mas também no que toca aos elementos presentes na composição. São exempo disto as sombras criadas no espaço, que podem funcionar como metáforas mas são para além disso – e não esqueçamos que é uma pintora de formação quem dá corpo a este trabalho - figuras. As imagens que representaram ubris, o transe, o caos, são-nos entregues num ritmo apolíneo, sereno, duma forma disciplinada e precisa que se aproxima duma certa dimensão litúrgica que simultaneamente nos concede espaço e tempo para divagar.
O que a representação da libertação dionisíaca através do desenho ou da escultura implica e o que acontece quando essas mesmas figuras são assumidas por um corpo vivo diante de nós, interessou Isadora Duncan e Nijinsky (para citar apenas os exemplos mais evidentes ), que a partir dum imaginário semelhante criaram abordagens diversas. Inevitavelmente se depararam com binómios como movimento e imobilidade, contenção e expansão, bidimensionalidade e profundidade, tensão e relaxamento, equilíbrio e desequilíbrio. Nesta performance, a armadilha da reconstituição é convertida num despojado exercício de articulação de todas estas questões, combinadas de maneira a incluir, valorizar e acicatar a nossa percepção.
Por tudo isto, faz sentido falar em “elevar à potência” o carácter mágico da performance. Os componentes desta peça são eles próprios e ainda mais: tal como o movimento da artista, têm um potencial multiplicador, até estabilizarem em nós.
Magia s.f. 1. arte que pretende agir sobre a natureza e obter resultados contrários às suas leis, por meio de fórmulas ou de ritos mais ou menos secretos, quer utilizando propriedades da matéria que se afirma serem desconhecidas (magia branca),
quer fazendo intervir poderes demoníacos (magia negra); feitiçaria; bruxaria;
2. prática de fazer aparecer e desaparecer objectos através de truques; ilusionismo;
3. produção de efeitos extraordinários por meios artísticos; encanto; fascínio;
4. de forma inexplicável ou inesperada; misteriosamente.
Apresentação vídeo da intervenção realizada num espaço público de Lisboa em Belém, nas traseiras do nº 14 e conversa aberta com o Antropólogo Paulo Raposo. A partir da problemática do lugar, e com base na experiência artística vivida no domingo anterior, no bairro residencial, Paulo Raposo comentará o vídeo desta intervenção, desde um ponto de vista antropológico. Patrícia Filipe irá propor um espaço de acção colectiva com um público ocasional, os transeuntes e com um público convidado, incluindo as pessoas do bairro, os vizinhos que serão convidados a participar na acção ou simplesmente olhar, desde das suas casas, marquises e janelas. O que se propõe é uma redefinição do lugar, segundo a artista a acção vai basear-se na tensão entre vontade de inscrição e acontecimento, numa tentativa de habitar o espaço. O desenho e a acção, o espaço marcado, referenciado pelo olhar, vão estar juntos num processo que se pretende relacional.
Performance Instalação. Às 15h30, ponto de encontro na entrada principal dos Jerónimos, performance às 16h00, na R. Gonçalves Zarco , nas traseiras do nº 14
ana fonseca
PUT YOU THINKING HELMET ON#2 THE DUELS
Durante a minha vivência em Londres, uma cidade fascinante e ao mesmo tempo dura e impessoal dada a sua dimensão e dinâmica social, sentia que usava uma “armadura”, que apenas retirava quando de férias em Lisboa, onde tomava consciência do facto de sentir-me “mais leve”.
Ao retornar a Lisboa e depois de ter vivido oito anos em Londres, há sempre um tomar de consciência do passado e uma certa inadequação sobre a situação presente, um sentimento de “entre lugares” que cria ansiedade e deslocação. Como a ansiedade é inerente à condição humana, esta foi a razão da substituição do chapéu pelo elmo (mais bélico e intemporal). Resolvi então criar um conjunto de elmos para a minha vida quotidiana, gadgets que gostaria de ter sempre a mão para vencer os obstáculos diários (resolução de problemas; lidar com a vitória; ter ideias brilhantes; guardar segredos; coragem; liberdade).
Este projecto começou por ser apenas uma série de cinco desenhos. Após a conclusão, tomei consciência das suas potencialidades performativas. Por conseguinte, pensei em vencer um medo real: o público, tornando desta forma o performativo real.
Com esse fim, os elmos serão concretizados em metal e a performance série put your thinking helmet on será um duelo entre o “eu” e o “medo”.
Quando penso nos meus desenhos, imediatamente lembro-me de uma pintura neoclássica: O Juramento dos Horácios, por Jacques-Louis David, 1784. A relação com esta obra vai para além do mero facto de ela mostrar “elmos”, mas sim por ser um símbolo revolucionário, um símbolo de uma nova estética que rompe com as tradições barrocas e rococós, ligadas ao regime de monarquias totalitaristas e assume-se como estética de uma nova geração e regime. Os elmos são também símbolos de uma vontade pessoal de revolução interior. Resgatar a “guerreira”, romper com a apatia e resignação e avançar.
Revoluções e grandes mudanças a nível pessoal nunca são pacíficas, há sempre um período de sofrimento e adaptação. Muitas vezes as mudanças ocorrem por factos que nos motivam a sairmos da nossa “zona de conforto” e buscar novas soluções.
Voltando à nossa relação com os objectos, também os classificamos como “inofensivos” e “perigosos”. Para este projecto e tendo em conta o seu enquadramento num museu de artes decorativas e ainda pelo facto de ser uma “mulher artista” pensei em subverter o uso dado a um objecto considerado “inofensivo” e até fútil, de preferência e torná-lo nocivo ou por ventura até letal.
Por associação livre de ideias, cheguei à conclusão de que o objecto perfeito seria um leque. A minha explicação tem como base a sua morfologia que me lembra um cravo (símbolo revolucionário) e como objecto decorativo e ligado à burguesia (leques em marfim e com decorações barrocas), carrega assim uma carga simbólica ambígua. Para acentuar essa ambiguidade, o meu intuito é torná-lo numa arma (doméstico, feminino e letal). Durante a minha pesquisa sobre leques, deparei-me que há no Japão a tradição de lutas com leques, como forma de arte marcial.
Como estrutura da performance, tomei como ponto de partida os duelos de esgrima desportiva contemporâneos e irei criar uma coreografia que será uma fusão de esgrima com katá japonês.
Local da Performance: Fundação Ricardo Espírito Santo (Largo das Portas do Sol, 2 – Lisboa). Data e Hora: Sexta-feira, dia 10 de Setembro, 19h00 Duração da performance: entre três a cinco minutos, o tempo
máximo em média de uma música pop. Elementos visuais: dois intervenientes vestidos com fatos de esgrima.
LAC – Laboratório de Actividades Criativas é uma Associação Cultural sem fins lucrativos formada em 1995 e com sede no edifício da antiga cadeia de Lagos. Construção arquitectónica cujos alicerces edificam sobre um antigo Convento é local de história fazendo parte integrante na história da própria cidade. Este edifício construído com outros objectivos revelam actualmente uma dicotomia interessante de prisão/reclusão VS espaço de criatividade/liberdade, ao tornar-se espaço de criação reverteu assim os moldes da sua existência, agora as celas são espaço de ateliê para artistas cuja sua utilização e trabalho contribuíram para a revitalização deste edifício da cidade dotando-o de uma nova história. A associação é espaço de residências artísticas com 13 anos de existência e tem como prioridade para 2010 desenvolver e alargar o PRALAC – Programa de Residências Artísticas no LAC, com o objectivo principal de dinamizar e promover a criação artística na região e especialmente na zona do Sudoeste Algarvio.
O Poder da Ignorância – Resposta ao Senhor José Pacheco Pereira
Lisboa, 26 de Julho de 2010
Ex.mo Senhor Pacheco Pereira,
Começo por lamentar o desconhecimento das obras que são produzidas pelos artistas portugueses da parte do Senhor "Historiador", "Professor" Universitário e "Político" José Pacheco Pereira. Como o nosso circuito é fechado, como afirma, sabemos bem quem é o nosso público, quem vê os nossos espectáculos, exposições, concertos, e, por isso, sabemos que o Senhor Pacheco Pereira não está incluído na pequena percentagem dos contribuintes que assistem ao nosso trabalho. Apesar de este facto ser admitido pelo Senhor Pacheco Pereira nos seus textos - "Não estou a falar de nada que tenha visto e por isso não é o espectáculo em si que comento, que até pode ser genial, mas da sua apresentação ao público potencial." MAIS EXEMPLOS DE “CULTURALÊS”, Revista Sábado – não impede que seja um triste argumento, sem interesse, e que o torne numa desculpa aceitável, logo pertinente.
Gostaria que soubesse que a arte infelizmente está cada vez mais direccionada para encarnar um papel que não lhe pertence; o da educação. Precisamente porque os artistas, produtores, curadores, programadores, procuram ir ao encontro de um público que nunca existiu e que não irá existir se não houver um trabalho de educação, como em qualquer outra área ou situação. Todos os esforços que se fazem para 'criar' e 'educar' novos públicos, para integrar a 'comunidade' através da arte, castram a liberdade de se criar sem querer ensinar. Sim, porque a arte não é obrigatoriamente didáctica, nem tem que ter esse cunho. Por isso é que há artistas e por isso é que há professores.
O 'comum dos portugueses' pode aprender todas as regras de um jogo de futebol, saber quem são os jogadores, os árbitros, os treinadores, decorarem as cores das camisolas porque isso lhes é ensinado, porque está à sua disposição e porque não exige grande esforço mental. No entanto se o 'comum dos portugueses' quiser aprender medicina ou história, talvez tenha que aprender bastante mais para compreender como se faz uma operação ou como se escreve um livro. Com a arte passa-se o mesmo. Não basta ir ao museu e dizer que não se compreende, não lhe parece Senhor Pacheco Pereira? Talvez se o 'comum dos portugueses' se interessasse por arte e decidisse abrir uns livros que não sejam só os do Picasso e os do Dali que saem numas colecções e que servem para encher a estante, talvez se no sétimo ano uma professora perdesse mais do que uma aula a falar sobre o Da Vinci do que estar a obrigar os alunos a decorar os nomes das colunas Dórica, Jónica e Coríntia, talvez se houvesse um investimento a sério numa educação a sério, o 'comum dos portugueses' pudesse ler mais do que 'A Bola' ou 'O Crime'. Deixe-me dizer-lhe que quando as avaliações que fazem àquilo que produzimos são ignorantes, arrogantes e com falta de humildade, serão, de certo, vulgares e banais.
Parece-me também que se os contribuintes querem "saber onde e com quem gastam" o seu dinheiro devem saber onde encontrar aqueles que contribuem também e que para além disso, criam. Se os contribuintes quiserem comprar um carro, saberão com certeza encontrar um stand de automóveis.
Umas das aspas no seu texto O “CULTURALÊS” E O PODER DA AUTO-CLASSIFICAÇÃO – e posso desde já exprimir a minha tristeza relativamente a estes termos inventados para se verem repetidos pelos jornalistas e aguçar o ego a quem os inventa – enquadram a palavra performance; eu sou performer, ou seja, faço performance. A performance existe, há também livros sobre performance traduzidos para português. Se o meu trabalho lhe é desconhecido é porque certamente não lhe interessa conhecer, ou então porque não abre as páginas das agendas culturais ou então não deve saber navegar na internet. Sou um artista, não sou um político, logo não tenho um cartaz com a minha cara num outdoor, não quero ter discursos paternalistas e corporativos, e não estou à espera que votem em mim. Garanto-lhe que não estarei à espera de alguém que não vê e não conhece e não compreende e que fala com arrogância sobre o que faço para determinar o meu valor.
Repito, sou um artista; não sou uma plataforma, com ou sem aspas, existo, independentemente de ter ou não projecção mediática como todos os outros que o Senhor Pacheco Pereira menciona na sua "crónica". Se apenas conhece o Teatro da Comuna, o Teatro da Cornucópia e os Artistas Unidos é porque não deve sair da Marmeleira, no mínimo, desde os anos 80.
Penso que é caso para se dizer: tanto político, tanto cronista, nós temos por metro quadrado. (Nós quem?) Mas ninguém lhes toca.
Miguel Bonneville
Podem ler-se as "crónicas" do Senhor Pacheco Pereira aqui:
Fórum Eugénio de Almeida
Sala Multiusos / 30 e 31 de Julho 2010 / 18H00
Direcção Artística, Produção: Richard Long
Coreografia: Miguel Gomes e Ana Nobre
Performers: Miguel Gomes e Ana Nobre
Som: Andre Birken.
ENTRADA LIVRE
Sinopse
Partindo de uma imagem de Philip Lorca DiCorcia, Storybook Life DeBruce,
1999, onde se toma o corpo como estrutura física, numa analogia à estrutura
arquitectónica, duas pessoas, assumem uma posição até que a sua
intensidade/esforço/duração se torne insuportável.
navio vazio
momento (e) Lançamento da publicação Impossuível
31 de Julho, 2010
18h–20h
Navio Vazio
Rua da Alegria,
134–A, Porto
O ciclo “Impossuível”* realizou-se no Navio Vazio, no Porto, entre os dias 29 de Abril e 8 de Maio de 2010. Um conjunto de artistas, designers, curadores, críticos de arte e de design foram convidados a partilhar com a audiência uma selecção de livros das suas bibliotecas privadas. Os textos aqui reunidos recolhem as reflexões surgidas desses encontros.
* Expressão cunhada por Natália Correia para descrever a poetisa Florbela Espanca.
The “Impossuível”* talks were held at the Navio Vazio, in the city of Porto, between 29 April and 8 May, 2010. A group of artists, designers, curators and art & design critics were invited to share with the public a choice of books from their own private libraries. The texts collected in this book are the reflections that took shape in these encounters.
* This is a word coined by the Portuguese poet Natália Correia to describe another, Florbela Espanca. The word is a portmanteau that blends the Portuguese words for “impossible” (impossível) and “possessable” (possuível).
Participantes/Participants:
Braço de Ferro
Isabel Duarte (Voca)
José Bártolo
Marco Balesteros
Maria João Macedo (Voca)
Mário Moura
Ricardo Nicolau
Sofia Gonçalves
Navio Vazio é uma extensão da editora Braço de Ferro – arte & design, com coordenadas geográficas fixas e uma área muito limitada. Este espaço, de ocupação temporária, será um local de experimentação editorial a três dimensões.
www.bfeditora.net
braço de ferro – arte & design
projecto editorial de Isabel Carvalho e Pedro Nora
joana bastos
in VERBO 2010
6ª Edição da Mostra de Performance Arte | 6th Edition of Performance Art
26 - 31 Julho 2010 | 18-22h30 h
26th - 31st July 2010 | 6-10.30 pm
Galeria Vermelho | Rua Minas Gerais 350, SP CEP 01244-010, São Paulo, BR
SOON THIRTY uma performance para festa de aniversário de yann gibert
“E ninguém saiu nu do bolo”
Na noite do dia 19 para o dia 20 de Junho aconteceu a performance SOON THIRTY.
Esta intervenção interrompia durante 15 minutos uma festa organizada no bar Liverpool em Lisboa, tendo por temática “o futuro já foi, adeus!”, para celebrar do aniversário do performer Yann Gibert.
Às 02h15 da manhã Isabel Simões atravessou a pista de dança na direcção de Yann Gibert carregando um bolo de aniversário (feito de propósito por Rogério Nuno Costa) com 29 velas acendidas. Neste instante a música de dança parou e começou uma banda sonora difundida em baixo volume composta principalmente por sons de fogos de artifícios.
Yann Gibert, que já agarrava há alguns minutos numa mão uma garrafa de champanhe, esperou, muito emocionado, pelo fim da canção “parabéns a você...” cantada pelas pessoas presentes no bar para soprar as velas e abrir a garrafa.
A seguir aconteceu uma distribuição de champanhe e de bolo chocolate/morango durante a qual Yann Gibert contou um facto que aconteceu durante o seu 14º aniversário: a história do seu primeiro beijo.
As pessoas presentes encontraram-se divididas entre prestar atenção à história, comer bolo, beber champanhe, conversar com amigos, cumprimentar o aniversariante... Quando a história acabou a banda sonora desapareceu e a música de dança voltou (“from disco to disco” de Whirlpool Production).
A história contada por Yann Gibert era continuamente interrompida pelas pessoas presentes, das quais muitos eram amigos dele, que mal perceberam que uma performance estava a decorrer. As solicitações deles tinham por assunto a vontade de beijar e dar parabéns ao amigo aniversariante, pedir mais bolo, pedir mais champanhe. Estabeleceu-se uma relação feita de interrupções mútuas dentro de um evento interrompido ele próprio pela performance.
Esta estratégia de interferência frontal com o contexto acolhedor através do convencionalismo da proposta (um aniversário festejado com um bolo e velas acendidas, o volume da música a ser reduzido) teve por consequência levar a comunidade nocturna presente a interagir com afectividade e hedonismo com o performer/aniversariante sem se preocupar com quaisquer formalidades ou atenção especial ao que estava acontecer fora da esfera pessoal de cada um.
Este duplo estatuto artístico/social de Yann Gibert levou àquela situação uma mistura de percepção do acontecimento. Yann Gibert era o amigo performando e o performer a partilhar um momento de intimidade com quem lá estava. Enquanto umas pessoas estavam atentas à historia contada e irritadas pelas manifestações de afectividade que demonstraram outras pessoas em direcção ao Yann Gibert (e às quais Yann dava prioridade) outras banalizaram a ausência de música e o facto de comer sobremesa no meio da noite num lugar exclusivamente devolvido ao consumo de bebidas e à dança.
A performance questionava a dimensão da ficcionalização do lugar social nocturno. Desta problemática emergiu uma manifestação da realidade pessoal do performer sob a forma duma festa na festa, celebrando um aniversário (o do seu primeiro beijo) num aniversário (o da sua nascença). O acontecimento íntimo tornou-se pretexto para um ajuntamento social, com o mesmo título do que o acontecimento festivo ou que o acontecimento artístico.
2ª edição do Mestrado em Práticas Artísticas Contemporâneas (MPAC)
Estão abertas as candidaturas para a 2ª edição do Mestrado em Práticas Artísticas Contemporâneas (MPAC) na Faculdade de Belas Artes da UP. Na sua apresentação afirmamos: "Mudanças e evoluções aceleradas nas práticas artísticas não foram acompanhadas pela correspondente mutação e actualização das propostas de ensino artístico. A proposta que este curso de mestrado avança é a de se colocar em acerto temporal e conceptual com essas práticas. A nomeação de abrangência pós-medial é, apenas, uma primeira afirmação de territorialidade que quer reivindicar. Aquela que pretende discutir e investigar os processos do fazer saber artístico contemporâneo, a partir das premissas possibilitadas pelo campo expandido". É por aqui que queremos andar e em boa companhia.
Para facilitar essa divulgação, foi criado um site informativo em:
http://mpac.fba.up.pt/
Aí encontrarão a informação básica sobre a sua estrutura curricular e corpo docente, assim como dados relativos à edição anterior (2006/2008)
Lembramos que as candidaturas decorrem de 12 a 17 de Julho